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  • Mel van Langendonck

A tempo...sempre tempo em boa hora!

Sempre fui apaixonada por piano solo, talvez porque eu tenha tido na minha educação musical o piano nunca como coadjuvante, mas como elemento principal de minha formação e vida. Era fácil, se os ouvidos não ajudassem, a visão funcionava muito bem ao reconhecer as teclas pretas e brancas. Se a visão não funcionasse o tato me ajudava a identificar as notas pretas e brancas. Não sei, acho que o piano sempre foi uma extensão minha. Fui caindo de amores por ele, e já era tarde demais pra qualquer separação. Acho que o piano solo também é presença marcante uma vez que faz parte da vida do pianista se apresentar solo na noite, em restaurantes e casas de shows.

No ano de 2010 recebi um convite para participar, com o meu trio o SOMA EM 3, de uma entrevista do programa PAPO DE MÚSICO do saudoso Toninho Spessoto. Esse convite me rendeu outro convite, para fazer o encerramento do projeto piano na praça abrindo o concerto do Gismonti. Ali elaborei arranjos para repertório popular de músicas do Tom, do Noel, João Donato, Edu Lobo, Vitor Assis Brasil.  Foi uma delícia de trabalho, e ali percebi que devia sempre elaborar os arranjos com a grandeza que o instrumento merece.

Em 2013 participei do Festival de Música de Trancoso, aonde levei um arranjo de  baião de Luciano Magno, o  Dominguiando para trabalhar com o pianista David Gazarov. Eu estava começando os meus estudos na música "erudita", e quis explicar pra ele que não se tratava de uma música convencional, mas que queria agregar aquela obra um pouco de técnica. David me deu algumas aulas e por fim, me convidou a apresentar no meio de seu concerto. Ali tive a oportunidade de vivenciar, como os ritmos brasileiros podem ser contagiantes, e que sua linguagem é transponível para várias vertentes de interpretação.

Neste mesmo ano, iniciei meu curso de pós graduação - especialização, em pedagogia do piano no Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro. Mais uma vez, senti a necessidade de buscar músicas que pudessem trazer uma linguagem popular ao piano, passeando pelas técnicas "eruditas". Me incomoda um pouco ter que dividir a música assim, em dois lados: erudito e popular. Música é música...... Ponto!!!!!

 Iniciei então a minha busca, e concluí meu recital com 3 obras de compositores, meus colegas: Dominguiando - Luciano Magno, Chorinho sem Choro - Liliana Bollos, Frevo de Sá - Hercules Gomes.

Em 2014, mais novos contatos. Eli Joory, de Minas me cedeu sua música Tamarindo para livre arranjo. Fernando Correa, Leandro Gomes, fazem parte deste rocesso de busca.

Em 2015, com um pouquinho de coragem e muito influenciada pela amiga Liliana Bollos, iniciei o processo de gravação. Foi um desafio...... Assim como todas as fases da vida, me desliguei um pouco desse processo todo. Descolei e fui viver a minha vida musical seguindo o caminho da pedagogia, outra paixão. E a convite da Marcella Pontes, fui trabalhar com esses ritmos que gosto tanto, ministrando oficinas de ritmos Brasileiros para pianistas com a formação "clássica". Mais uma vez, influenciada pelo incentivo dos amigos, pude realizar um recital pequeno, apresentando esses arranjos e outros..... O tempo passou mais um pouquinho e este ano, por conta e risco resolvi concluir este processo, terminando a fase de gestação e dando vida ao A TEMPO. A Tempo quer dizer em tempo como na indicação da partitura do músico, depois de um grande ralentando.......... A tempo de acontecer, escolhi este título (sempre pensei em chamar este trabalho de Choramingando entre Teclas), para tornar realidade esta paixão pelos ritmos brasileiros, e pelas composições desconhecidas do grande público. Tenho interesse ainda de fazer um caderno de partituras, mas isso é outra história e outro período gestacional. Essa é a minha história, e só consigo conta-la em primeira pessoa.  Que as músicas que compõem o "A TEMPO"  possam te trazer algum novo conhecimento, e se não que ao menos possa nos unir. Um beijo 



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